quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A Entrevista

Trabalho já há seis anos, o trabalho tem sido sempre com um objetivo: pagar as minhas contas temporárias. Digo temporárias por serem coisas como tirar a carta, estudar e outros objetivos de lazer associados à minha miúda idade.

Agora que tenho um emprego, continuo à procura de algo que se adeque mais a mim, afinal de contas, quero exercer o meu Marketing. Na minha diária caça ao emprego ideal, deparo-me com um anúncio que mereceu toda a minha atenção desperta. Os requesitos incidiam muito na análise de tendências de mercado, a localização da empresa era ótima, um pouco mais perto de casa, mas havia um red flag, "remuneração motivacional". Que tipo de remuneração seria?

Bem, a entrevista não era entrevista, mas uma formação (ou INformação como o senhor tanto repetiu). Conforme o tempo passava, aquela oferta perdia mais e mais atratividade, o cargo descrito em nada coincidia com o anúncio publicado. Definiram o que era um Trader, muito bem o explicaram, mas parece-me que muito mal o exercem. Anunciaram como Trade Marketing, mas assemelho o Trade deles mais dealing, um jogo com o dinheiro dos outros - "Investimentos" - dizia ele.

A verdade é que esta função nada tinha a ver comigo, nem com o meu emprego ideal, há sim diferentes definições e tipos de Traders, mas nesta empresa, era no mínimo insólita, as coisas não estavam a bater certo.

No final daquela INformação, o senhor perguntou a mim e às restantes pessoas na sala as nossas opiniões, no meio do silêncio constrangedor eu verbalizei a minha opinião, por mais que aquela oferta fosse interessante para muitos, para mim não me interessava.

"Não me identifico O anúncio não corresponde ao cargo que  o senhor está a descrever  Obrigada, mas não estou interessada."
 Sou imediatamente arrebatada pelo senhor,

"Sabe menina, eu já tive a sua idade Nunca diga que isto ou aquilo não é para si Na vida, temos que trabalhar As oportunidades surgem muito poucas vezes na vida, e este é o maior erro da sua vida."
A propósito, já mencionei que aquele emprego exigia um período de formação inicial de um mês em que teria que pagar o simbólico valor de 246,00? A minha remuneração motivacional seria um crédito de 5000,00 para eu poder brincar com o dinheiro, fazendo eu, o meu próprio salário. As propostas continuavam a surpreender-me.

Senti-me julgada pela minha idade, ou pela minha aparência de pessoa muito jovem, com pouca experiência de vida. Provavelmente pisei-lhe os calos expressando a minha opinião, provavelmente influenciei também os restantes candidatos. Ninguém aceitou aquela oferta.

Sou uma miúda,  e então? Tendo a noção que ainda tenho muito a aprender no mundo professional, acredito na existência de uma enorme condescendência com o factor da idade na sociedade portuguesa. Sendo que há o velho demais e o novo demais.





Que venha a próxima entrevista!

domingo, 4 de janeiro de 2015

Incrivelmente recém licenciada!

O meu nome é Patrícia. Sou uma jovem de 23 anos e sou incrivelmente recém licenciada! Parece-me importante salientar que sou incrivelmente recém licenciada. Ora vou enquadrar.

No passado dia 1 de junho, realizou-se a Queima das Fitas da minha faculdade, em Setúbal, foi um momento em que toda a realidade caíu sobre os meus pés, tanto nos meus como nos restantes centenas de alunos que celebravam naquele dia o fim de uma vida académica onde fizeram amizades para a vida, onde ganharam conhecimentos técnicos daquilo que, à partida, iriam praticar no mercado do trabalho, onde tanto Moscatel beberam, ganhando um gosto especial que para sempre trará nostalgia... Neste domingo, tantas preocupações eu tinha na minha cabeça:


"Com tanta confusão, será que consigo arranjar um sítio para estacionar o carro?" "Será que devia levar uns ténis para não conduzir com os malditos sapatos do traje?" "Será que vou chorar tanto que irei ficar horrível nas fotografias que marcam este dia?"...

Enfim, tantas questões, a minha mente divagava entre mil assuntos e a mil à hora. Mas havia uma questão muito importante, que estava constantemente a martelar a minha massa cinzenta.


"O.K., estou a meio do meu estágio, assim que o terminar faço a apresentação do relatório e Voilá, aqui estou eu, Patrícia, incrivelmente recém licenciada!"

Pois bem, passaram uns meses e depois de terminar o meu estágio, que só me confirmou a minha paixão pela área do Marketing e da Comunicação, depois de fazer a minha apresentação, em que recebi elogios que me dão força, sou completamente atirada e arrebatada para a realidade. 


"Patrícia, agora já não há desculpa, já não estás a estudar, já não precisas de um trabalho simplesmente para pagar os estudos, agora sim, agora sim! Agora um trabalho que te faça usar toda a tua criatividade e todos os conhecimentos que aprendeste.". 

Pois bem, não é segredo para ninguém mas... Como dizer isto? O nosso país... Este país... Portugal não é um dos países mais fáceis para encontrar um emprego na área na qual dedicaste 3 anos da tua vida a perceber e compreender. Não é surpresa para ninguém claro. Mas porque não fazer um teste? E se, eu registasse digitalmente a minha jornada enquanto jovem incrivelmente recém licenciada à procura do meu sucesso. Sei lá, que tenho eu a perder? Pode até ajudar-me. Mais tarde, irei olhar e ver tudo enquanto retrospetiva.


Não me alongando muito mais, atualmente trabalho como assistente num escritório de advogados, tudo a ver com a minha grande paixão de Marketing e Comuncicação... Meh. Talvez não, mas é um começo da minha vida profissional pós-licenciatura. Entretanto, vou sempre enviando CV's para outras entidades, é uma realidade deste país, é tudo tão complicado, mas e se eu der a volta a esta "realidade"? E se eu puder finalmente dizer que sou uma Marketeer e não apenas uma jovem incrivelmente recém licenciada?