domingo, 27 de dezembro de 2015

A 2016 e diante!

Killing Me Softly - The Fugees
Na minha cabeça desde os anos '90


O.K., um mês sem escrever é vergonhoso, eu sei.

No último mês, tive muito trabalho, fui menos vezes ao ginásio, mas também corri mais ao ar livre, fiz 24 anos e recebi um bolo de gomas pelos meus lindos colegas no meu Dream Job, recebi também umas quantas ternuras do meu namorado. No último mês, fui mimada e desmimada, infelizmente desleixei-me imenso aqui no blog e por isso peço mil desculpas aos que me acompanha nesta jornada d’A Miúda.

Hoje, e visto estarmos cada vez mais próximos de 2016, quis escrever aquilo que quero no meu futuro, acredito que haja uma imensidão de pessoas que faça isto todos os anos, mas nunca foi hábito meu. Acredito que é tão fácil esquecermos aquilo que queremos, e não falo de objetivos, mas exatamente do que queremos, como querer pintar o cabelo de cor-de-rosa ou querer fazer uma tatuagem, etc. …

Decidi fazer o exercício, tentei pensar sem que nada me impedisse, sem qualquer limitação e fiquei surpreendida de apenas ter escrito 11 “queros”. Quão contraditório é eu querer sempre tanto, mas depois, quando realmente tiro este tempo para pensar um pouco, ocorrem-me apenas 11 “queros” e todos tão distantes e diferentes uns dos outros?

Eis a minha ambiciosa lista de “queros”, sem qualquer ordem de importância, são 11, o número do dia do mês em que faço anos:
  1. Quero ir a mais concertos e mais festivais
  2. Quero aprender, e talvez crescer, cada vez mais no meu Dream Job
  3. Quero ir à Tailândia durante, no mínimo, 3 semanas
  4. Quero escrever com (muito) maior assiduidade no blog
  5. Quero conhecer quem me lê
  6. Quero acalmar o meu vício de sushi
  7. Quero sair de casa dos meus pais e ter a minha casa
  8. Quero que o meu carro não trema a partir dos 140 km/h
  9. Quero poder ajudar pessoas… Fazer parte de algum projeto de solidariedade
  10. Quero fazer uma grande festa de aniversário aos 25 anos
  11. Quero ser mãe de, no mínimo, duas crianças

Talvez não faça bem este jogo das resoluções do ano novo, talvez seja pela minha mania e teimosia de fazer as coisas à minha maneira, mas não é tão melhor lembrar o que queremos em vez de objetivos, por vexes sinto que os objetivos nos são impostos, pelo menos muitos deles e desde pequeninos…
“Quando fores grande, vais ser engenheira!”
Isto, dizia-me o meu pai quando eu era criança, fosse do que fosse, podia ser das pedras, das alfaces, mas desde que fosse engenheira, era um objetivo bom que o meu pai me tentou impor, e claro, sem sucesso. Com isto não digo que não devemos traçar objetivo, até porque eu sou a menina dos objetivos e de os cumprir, mas o que nos deixa felizes é fazer, ter e ser o que queremos.

Como disse o grande Raúl Solnado, “Façam o favor de ser felizes!” não só em 2016, mas na vida.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

E já agora, o que queres fazer antes de morrer?

Hello - Adele
Na minha cabeça desde que saiu...


Nos últimos dias tenho pensado bastante sobre o que escrever aqui no blog, tinha dois temas em mente - que não vou revelar, quero guardá-los para mais tarde -, muitas vezes penso no que vou escrever, e a partir daí a minha cabeça não para, habitualmente é-me fácil desenvolver um tema, mas estes estão ainda muito dispersos na minha mente, e não me está a ser fácil organizá-los na escrita.

Entretanto, decidi meditar um pouco, não sei posso chamar ao que faço de meditar, mas é aquilo que faço para relaxar e para me “reagrupar”, é estar no meu quarto, deitada ou sentada na cama a ouvir música, só a ouvir e a cantar música… A música é uma enorme paixão, na realidade, acho que é uma paixão para todos, quem é que vive sem música? Quem vive sem cantarolar no carro ou no banho? Quem não bate o pé ao mínimo som ritmado que se oiça? A música é universal, é natural e sentida de forma diferente para todos, mas toca a todos.

Sempre adorei cantar, tal como escrever ou fazer exercício se torna algo muito terapêutico para mim, cantar torna-se ainda mais terapêutico.

Estando sempre lado a lado, eu e a música, no meu trabalho não consigo estar sem música, aliás, chega mesmo a ser complicado, por vezes, a vontade de cantar atrapalha a minha concentração e muitas vezes a vontade ultrapassa os limites e sai dali um pequeno murmuro – o que não é correto, nem tão pouco profissional! Mas eu sou humana, não sou feita de ferro… Há coisas que não dá para fazer ao mesmo tempo e ouvir músicas com letras chamativas e elaborar planos estratégicos é uma delas.

Enfim, esta semana, aquilo que me inspira para escrever hoje é a mais recente música da Adele. Na minha cabeça, nos meus fones e no meu carro praticamente desde que saiu, tenho cantarolado para trás e para a frente, sem nunca ter prestado grande atenção à letra. É isto que é interessante, e atrevo-me a dizer que mágico na música, uma vez que não é preciso escutar - apenas ouvir - para gostar e realmente desfrutar de uma música. Hoje, na minha sessão terapêutica de música (ok, este este é o nome oficial da minha meditação - Sessão terapêutica de música!) decidi prestar atenção à letra, afinal, se a canto e se não me sai da cabeça, porque não escutar, além de ouvir?!

Portanto a Hello, da Adele, disse-me muito. Eu acho que cada um interpretará à sua maneira e da forma que mais se adequa à sua vida ou a certa fase dela, mas o que esta letra me diz, e me faz pensar, é naquilo que eu preciso, e quero, fazer antes de morrer.

“It's no secret that the both of us are running out of time”

Este verso em particular fez-me lembrar sobre este tema. Esta música está claramente em volta de um telefonema, aquilo que eu vejo neste telefonema é uma chamada do meu Eu de amanhã, para o meu Eu de ontem. Resumidamente, o Eu de amanhã está a ligar para o Eu de há uns tempos atrás, e o Eu de amanhã lamenta… Lamenta não ter feito aquilo que havia prometido ao Eu de ontem, tanta coisa queria ter sido feita antes de morrer, mas passou demasiado tempo… Ficámos sem tempo… Não tentámos o suficiente…

Este discurso parece melodramático e exagerado, mas eu não estou a querer ser negativa, muito pelo contrário! Mas até que ponto não será importante lembrarmo-nos, todos os dias (ou pelo menos regularmente), do que gostaríamos de fazer antes de morrer?

Sim porque a vida é mesmo curta! À minha volta, vejo colegas da minha idade a casar, a ter filhos, a viajar, a fazerem coisas, a fazerem coisas… A concretizar! E ontem… Ontem eu tinha 5 aninhos e tinha acabado de ter o meu primeiro dia de aulas na escola primária, aquele dia em que o meu pai me levou à escola pela primeira vez… Hoje, tenho 23 anos, a um mês de completar 24 anos, e assim, se passaram quase 19 anos… Muito, mas muito rapidamente, como se apenas 24 horas tivessem passado… Eu nem queria ir por este caminho, mas há medida que os anos passam, e atenção, eu sei que ainda sou uma jovem mulher, o tempo passa cada vez mais depressa, e cada vez estamos mais próximos da morte, por isso sim. Eu escolho pensar no que preciso, e quero, fazer antes de morrer…

Antes de morrer (e espero morrer bem, mas bem velhinha) quero ir à Tailândia durante 3 semanas, quero ir à Guiné conhecer as minhas origens e quero cantar num palco uma vez!

Isto é o que me diz a Hello da Adele, e a ti, o que te diz?

E já agora, o que queres fazer antes de morrer?

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Quando era miúda, sonhava ser empregada de balcão

Drake - Crew Love feat. The Weeknd
Na minha cabeça há 1 ano e meio


Quando era miúda, uma miúda de 5 anos, tinha um sonho, um pequeno sonho. Queria ser emprega, mas acho que me fascinava a ideia de falar com pessoas, muitas pessoas diferentes ao longo do dia… Sorrir e servir, era aquilo que eu via acontecer sempre que ia ao café.

Basicamente, queria ser a senhora ali do Pão Quente, todas as manhãs, antes de ir para a escola, a senhora do Pão Quente oferecia-me línguas de veado, eu pedia “Línguas de gato, por favor” e ela sempre me deu as línguas de veado, mas nunca me corrigiu... Dá para acreditar que durante anos eu achei que línguas de veado e línguas de gato eram a mesma coisa?!

Enfim…

Ser empregada de café já era, tinha agora cerca de 10 anos quando decidi que queria ser médica, medicina ia ser o meu futuro, ia seguir o caminho para salvar vidas! Tão facilmente podia trazer uma vida ao mundo, como também poderia salvar uma vida, fosse por uma doença, ou por um acidente… Acho que era aquela responsabilidade que teria sobre a vida que me atraía, o impacto que teria na vida daquelas pessoas e até mesmo das suas famílias. Esta profissão já não seria incomum na minha família, a minha avó Vitória, mãe do meu pai, tinha sido médica. Nunca conheci a minha avó, morreu antes de nascer, mas ouvi tantas histórias dela, tenho a ideia que ela era um verdadeiro pilar na minha família, mesmo não a conhecendo, queria ser como ela. Queria ser médica, tal e qual a minha avó Vitória!

O.K.!

Agora, aos 14 anos, altura de testes psicotécnicos, supostamente muito elucidativos para escolher o percurso académico dali em diante. Sinceramente, não me lembro quais foram os meus resultados, mas lembro-me bem da insistência dos professores quanto às opções dos agrupamentos no Ensino Secundário, levaram-me a crer que a melhor opção seria o agrupamento de Ciências e Tecnologias, era “O mais difícil”, mas “O que dava para tudo”… Eu sabia que queria ser médica, e para isso, tinha que marcar encontro com a Biologia e a Físico-química nos seguintes anos da minha vida.

Aos 16 anos, já no décimo primeiro ano, a minha cabeça mudou, a minha vida escolar mudou, bem como vida social, a anterior aluna de 4’s e 5’s (e também 3 a educação física) era agora uma aluna de 13’s, poucos 14’s e uns quantos 12’s, sabia que para entrar em Medicina não estava a fazer o melhor trabalho do mundo, distraí-me com a novidade da nova escola, novas pessoas, mas também novas exigências, fui descuidada! De qualquer das formas, como disse, a minha cabeça mudou, já não queria ser médica. Agora, queria ser psicóloga!

A fase em que quis ser psicóloga não foi nada bem aceite pelos meus pais, lembro-me de quando disse à minha mãe, vi tristeza e preocupação nos olhos dela…
“Oh filha… Tens a certeza? É uma profissão que não está nada bem… Vais ter muitas dificuldades em arranjar emprego.”
A minha mãe é linda, é a mulher mais forte e trabalhadora que conheço, amo-a e respeito-a tanto… Mas o futuro é meu, a Patrícia de 16 anos sabia ouvir, mas sabia seguir as suas ideias, o que ela queria, o que ela sonhava...

Entretanto, tanto sonho, tanto sonho, e aos 17 anos, chegou a altura de dar o tudo por tudo. Eram os exames nacionais! Na altura, fiz exame a Matemática, Biologia e Geologia, Física e Química e Português. Senti-me confiante em todos, exepto Matemática, eu tinha a certeza que teria que repetir o exame na segunda fase. A maior das minhas surpresas nesse ano foi ter passado a Matemática, e ter chumbado em Física e Química, não só na primeira fase, mas repeti a proeza na segunda, e última fase.
“Oh não! Não, não, não e NÃO! Chumbei a Física e Química!”
Mal sabia eu, que este pequeno percalço na minha vida ia fazer mudar por completo aquilo que eu queria para o meu futuro, os meus sonhos mudara outra vez… Agora era certo que aos 17 anos não ia terminar o Ensino Secundário e não ia para a faculdade naquele ano como muitos dos meus amigos… Desta, não estava, de todo, à espera!

Nesse ano comecei a trabalhar a sério, o meu primeiro trabalho foi como empregada de balcão numa loja de gomas! O meu sonho de infância concretizou-se! Trabalhei no coração de Lisboa, no Chiado. Amo tanto o Chiado…

Neste trabalho, lidei muito com pessoas, portugueses, ingleses, espanhóis, franceses… Foi nesta altura, na transição dos 17 para os 18 anos que a miúda descobriu outro sonho. A miúda queria ser gestora!

Assim que passei a Física e Química, candidatei-me ao Ensino Superior, entrei em Gestão de Empresas, fiz um aninho daquilo, e guess what?! A miúda descobriu outro sonho, a miúda queria ser Marketeer!


P.S.: Quando comecei a escrever este post, estava a pensar escrever simplesmente sobre quando somos crianças, as coisas que queremos ser, astronautas, veterinários, médicos, cabeleireiros, n coisas… Chego ao fim, e não sei bem o que transpareci mais: 1) sou uma pessoa incrivelmente indecisa e que muda de ideias constantemente; 2) todos os caminhos vão dar a Marketing.
Escolho a opção c) a vida dá muitas voltas!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Divagações. Quando comecei o blog...

xxyyxx - About you
Na minha cabeça há cerca de 3 anos


Hoje escrevo os meus pensamentos, exatamente conforme vão surgindo!

Quando comecei o blog…

Melhor!

Quando decidi começar a escrever, era uma miúda de 22 anos com muita coisa na cabeça, muitos pensamentos e tantas, mas tantas divagações… Eu sei que é normal as pessoas pararem no tempo e acontecer aquilo que dizemos ser “olhar para o vazio”, mas a quantidade de vezes que isto me acontecia, e principalmente em público, quando por acaso este “olhar para o vazio” era mais algo como “olhar fixa e constrangedoramente para um desconhecido a pensar que sou uma pessoa muito estranha” e eu sem reparar, eram as minhas divagações viajando de um lado para o outro no meu querido cérebro.

As minhas divagações são como eu, sempre de um lado para o outro, ocupadas, desorganizadas, por vezes, demasiadamente enérgicas e sem dar descanso... Por vezes tornava-se cansativo, eu queria dormir, mas elas simplesmente não me deixavam.
Mas o pior das divagações viajarem desordeiramente na minha cabeça, era a quantidade de divagações que existiam. Caramba! Eram tantas!

Um dia, decidi que não podia deixá-las só para mim, com certeza alguém no mundo poderá querer saber das minhas divagações, eu posso dizer que sempre achei muito interessante, não querendo ser presunçosa… As minhas queridas divagações estavam prontas para emigrar!
Meses passaram, cheguei a 2015, e como se diz “Ano novo, vida nova!”, comecei o blog. Finalmente as divagações davam-se a conhecer ao mundo! Surpreendeu-me imenso ver a aderência e o feedback que me davam a cada post, até que um dia (na semana passada), fiquei ainda mais surpreendida quando sou abordada por um leitor (que eu adoro, muito modestamente, chamar de fã - vou trata-lo por fã durante o resto do post!) dizendo-me que o inspirei.

Espera lá! Eu, inspirei alguém? Deixem-me corrigir. As divagações de uma miúda incrivelmente já não recém licenciada inspiraram alguém?

O meu fã disse-me que o inspirei – INSPIREI UM FÃ!!! - E pediu-me também uma opinião crítica acerca de um pequeno texto que se desafiou a escrever. Não é fantástico?

Aquilo que me deixou mais entusiasmada… Aliás, tudo aquilo me deixou entusiasmada. Esperava encontrar um texto pessoal, até porque se eu o inspirei, possivelmente, o fã teria escrito algo segundo uma direção semelhante àquela que eu dou à Miúda, mas fui presenteada por uma linda história que não tinha nada a ver com nada, era simplesmente uma história muito bem escrita. Adorava partilhar, mas o fã ainda está no anonimato, o que me coloca a mim numa posição privilegiada, sinto que tenho um segredo muito bom e que mais ninguém sabe!
O fã fez-me pensar muito nestes últimos dias, dando-lhe os conselhos e sugestões que me pediu, recordei o bom que é escrever, e porque adoro escrever este blog. Quando comecei o blog, não só quis poder arrumar as minhas ideias, mas combinei também a escrita, algo que sempre gostei, com todas estas ideias e opiniões, que por vezes é difícil de expressar de outra forma.
Quando digo que tenho um blog, a reação é sempre a mesma:
“Tens um blog?”
Com um tom tão acentuadamente surpreso… Fico a pensar se eu faço transparecer a pessoa que sou. O que pode ser assim tão surpreendente de eu escrever um blog? Confesso que adoro conduzir as conversas ao blog, adoro dizer às pessoas que tenho um blog, que escrevo, que escrevi um post… Sinto que estou a ter sucesso em introduzir o que sou naquilo que escrevo.


Hoje quis despejar as minhas divagações aqui no blog, tal como penso, assim o escrevo. Afinal, foi exatamente para isto que iniciei o blog, é também uma forma de evitar olhar constrangedoramente para desconhecidos, sem sequer me aperceber de que o faço, simplesmente por estar a divagar ao mesmo tempo que “olho para o vazio”.

PS.: Às vezes demoro imenso tempo à procura de uma imagem que eu possa enquadrar com o post, desisti de perder imenso tempo nisso, vou começar a pôr imagens de vídeos ou de algo que se enquadre com a música que estou a ouvir. Por norma demoro entre meia a uma hora a escrever um post, e durante esse tempo oiço sempre a mesma música em modo repeat. Sou viciada em música, e vocês?

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Há pessoas que não votam



Num dia de comemoração da Implantação da República, falo sobre pessoas que não votam.

Há, por exemplo, portugueses no estrangeiro, alguns daqueles que tiveram que ir à procura de uma vida melhor, que não votam, sem poder fazer ouvir a sua voz.
Há pessoas que não votam porque não querem, porque "Para quê votar?! Nada vai mudar." ou "Eu sou só uma pessoa, não votar, em nada influencia os resultados." ou "Eu não acredito no voto."... 
n razões pelas quais as pessoas não votam...
Há, desde as 8 horas da manhã às 19 horas, mesas abertas prontas para receber os nossos votos.
Há países, onde a percentagem de abstinência não supera a percentagem de partidos vencedores.
Há pessoas em Portugal, que desistiram do país, portanto não votam.
Há quem considere que votar não é importante, não é relevante...

Algo que se via muito nas redes sociais durante o dia de ontem eram coisas do género "Porque votar não é só um direito, mas sim um dever." E depois, todas aquelas fotos no Instagram e todos aqueles posts no Facebook resultou numa percentagem de abstenção superior à percentagem do partido vencedor.

Portugal adora bater recordes, e nestas legislativas bateu outro!

Abstenção bate recorde em 2015 e fica em 43,07%


Ontem, 43,07% portugueses eram mudos, 43,07% portugueses não tiveram opinião, 43,07% portugueses são pessoas que não votaram, para 43,07% dos portugueses, apesar de um ser um direito, votar não é dever. E de certeza absoluta, que os 43,07% dos portugueses irão dizer nos próximos tempos "Pois, este país..." em tom depreciativo, mas estes 43,07% dos portugueses são pessoas que não votam...

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

365 dias Marketeer!



Faz hoje um ano desde que fiquei licenciada!

Desde que me licenciei, terminei o meu trabalho na IKEA, entrei no meu trabalho como assistente num escritório de advogados, comecei a escrever um blog, procurei exaustivamente o meu dream job, escrevi sobre a minha jornada nesta procura, comecei a trabalhar no meu dream job e agora a umas horas de 29 de setembro, era segunda feira em 2014.

Naquela segunda feira de 2014, eu tinha a apresentação do relatório de estágio dos três meses que passei na AXA como estagiária de Comunicação e Marca. Era o "dia D", era o "agora ou nunca", era o dia em que, se tudo corresse bem, licenciada me tornaria.

Naquela segunda feira, ainda eu dependente de carros emprestados quando precisava de ir um pouco mais longe, tinha a minha apresentação agendada para as 18 horas, mas quis ir mais cedo porque queria ver um pouco da praxe no IPS. Cheguei à faculdade mesmo no final daquele primeiro dia de praxe, conheci alguns caloiros e lembrei-me do meu primeiro dia naquela faculdade. Quando entrei no IPS dizia afincadamente que não ia ser praxada novamente (sim, porque já tinha estado noutra faculdade, onde já tinha sido praxada), acabei por não resistir e lá está... Ganhei no IPS grandes amigos para a vida...

Mas focando!

Conheci alguns caloiros, e depois daquele pequeno momento descontraído fui ter com os meus colegas que também tinham apresentação naquele dia, no bar da escola estive a treinar a apresentação (sim, porque com uma biblioteca com vários aquários disponíveis, porque não treinar no bar da escola?!) assim foi até chegarem as minhas orientadoras de estágio que tanto admiro e respeito, por tanto me terem ensinado e me introduzirem naquele meio empresarial, onde me apaixonei pelo Marketing.

Treinei novamente a apresentação para as minhas orientadoras, naquele nervosismo todo, eu gaguejava, mostrava ansiedade... E elas disseram-me:

"Patrícia, ao ler o teu relatório era impressionante como conseguia ver os teus três meses ali na tua secretária... Foste tu que fizeste o estágio certo?! Não precisas de treinar, sabes o que fizeste!"

Ver a confiança que tinham em mim, que eu própria, naquele momento não estava a ter...

Naquela segunda feira, às 18 horas, junto à sala do tudo ou nada, estava lá o meu professor orientador do estágio com o professor diretor do curso, deram as boas vindas ás minhas orientadoras, fizeram aquele bate-papo normal para quebrar a tensão e disseram-me:

"Patrícia, vamos lá?"

Comecei a apresentação ainda a mostrar nervosismo, tentando lembrar-me das coisas que tinha treinado, quase parecendo um robot sem pilha (sim, porque suponho que um robot com pilhas não gagueje), a gaguês durou cerca de 3 minutos. Depois, decidi ter uma conversa, não fiz uma apresentação formal, conversei sobre aquilo que tinha sido o meu estágio, conversei sobre aquilo que aprendi, conversei sobre aquilo que apreendi e pus em prática, conversei sobre a minha experiência. Foi engraçado ver a cara das minhas orientadoras e dos meus professores, satisfeitos com o que estava a acontecer naquela sala, satisfeitos com o resultado dos últimos três anos de licenciatura, pareciam estar maravilhados, mas eu só ia pular de alegria depois de saber o resultado!

Uma vez concluída a apresentação vieram as perguntas (aquela parte difícil), que mais uma vez foi uma conversa, e correu tudo tão bem... Pediram-me para sair da sala um pouco, passaram cerca de dez minutos, o tempo que deliberaram a minha nota, e eu ali à porta, tentando ouvir o que diziam... Assim que abriram a porta, eu vi na cara de todos, que vinha aí a boa nova:

"17, a Patrícia teve 17, está de parabéns! Não faça qualquer outra coisa que não marketing Patrícia, a Patrícia é isto."

Naquela segunda feira, 29 de setembro de 2014, o mundo ganhou uma nova marketeer!

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Pai.



Quando era miúda, acordava-me sempre pelos tornozelos e abanando as minhas pernas de um lado para o outro, quase me partia as pernas pensava eu, que maneira de acordar uma criança esta? "Vamos passear! Levanta-te".

Lembro-me quando me levava à escola, no meu primeiro ano, íamos a pé no meu, na altura não tínhamos um carro, dava-lhe a mão levantando o meu bracinho tão esticadinho, mas tão esticadinho... Parecia um gigante a meu lado.

E quando comprou um carro... Ah o velho Lancia! O carro levava cassetes, ouvíamos clássicos dos anos 80 (hoje em dia encho a boca para dizer que conheço bem as músicas dos anos 80 por causa destas cassetes!). Por esta altura já me levava para a escola de carro, ele lá à frente e eu no banco de trás, tinha a mania que sabia tudo e que usava palavras que gente grande usa, foi no velho Lancia, que tínhamos conversas em que eu trazia o meu discurso mais fluente, ensinou-me que não é "alorgico", mas sim "lógico", não é "bariga" é "barriga", tantos assassinatos à língua portuguesa...

Agora, mesmo com o velho Lancia, ainda não abdicávamos de andar a pé, nem mesmo para ir ao supermercado aqui perto de casa. Andar na rua com ele era como andar de autocarro, toda a gente o conhecia, eram só paragens.... Pessoal da fábrica, onde ele  ele já trabalhava desde adolescente, todos o conhecem.

Quando entrei no quinto ano, ele tornou-se mais sério comigo "Agora já és grandinha!". Ofereceu-me um telemóvel, comprou um Seat... A nossa vida estava a mudar, eu crescia e ele continuava a querer dar-me tudo e tanto trabalhou para isso... Todos os dias ligava-me sempre no ínicio, ao almoço e ao final do dia "Filha, estás bem? Já estás na escola? Já almoçaste? O que é que almoçaste? Já estás a vir para casa?".

Entretanto chegou o dia em que recebeu um prémio, 30 anos a trabalhar naquela fábrica, o trabalho dele estava a ser valorizado!

Na fase final do meu ensino secundário, a fábrica começou a restruturar, já não era preciso ter as pessoas a trabalhar 8 horas por dia... Já não era preciso todas aquelas pessoas a trabalhar na fábrica...

Passaram alguns anos, e a fábrica desistiu, a fábrica desistiu dele. Passaram 2 anos, e Portugal desistiu dele.

O super-homem agora é só o Clark Kent... Deu-me a conhecer música dos anos 80, ensinou-me palavras, educou-me, viu-me crescer, deu-me tudo, mas é já demasiado velho para ser o super-homem. 

Temos tanto para fazer neste país, mas continuamos a ver pessoas a ir embora, há melhor lá ora... Estão pessoas a "apodrecer" neste país.... Ah mas não, temos sempre apresentações quinzenais, ou formações em atendimento, informática ou inglês para ocupar o tempo de vez em quando, mas durante quanto tempo podemos fazer de conta que estas pessoas não passam de um número? De uma taxa? "A taxa dos desempregados em Portugal desceu..." Eles gostam de dizer isto quando desce 0,0000006%... 

Pai.