O “Para sempre” é aquele final dos filmes e histórias de
encantar que desde sempre nos habituaram em várias fases da vida. A mim, tanto
me habituaram, que me fizeram não ter medo de algo que fosse “Para sempre”.
Pensem comigo!
É fácil imaginar que logo depois de acabarmos os estudos,
vamos ficar num trabalho “Para sempre”? Até à reforma, pelo menos… Não! Hoje em
dia já não há tal coisa como ficar no mesmo emprego anos, anos e mais anos, vá,
ainda pode acontecer, mas não como antes, hoje em dia, trabalhar 5 anos no mesmo
sítio, já parece um “Para sempre”…
E as relações… Eu acho que toda a história de encantar que
fala de uma bela história de amor termina sempre em “E viveram felizes “Para
sempre”… The end!”. Eu estou numa relação
há um ano e meio, e sempre que, em conversas menciono que é “Para sempre”, as
pessoas têm sempre a tendência a olhar para mim como se eu fosse doida… “Olha
esta miúda de 24 anos a dizer que vai ficar numa relação “Para sempre”…” Sou
sincera, foi precisamente por este tipo de conversas que me lembrei de escrever
isto…
As pessoas têm medo do “Para sempre”, da responsabilidade,
ou até mesmo de estabelecer objetivos altos, que possam parecer demasiado altos… Acho que é por medo do incumprimento e da desilusão que daí possa vir.
Mas que desilusões podem surgir assim tão grandes que nos
fazem ter medo?
No trabalho, julgo que seja o facto de andarmos para a
frente, avançarmos alguns patamares, e de repente, vermos que afinal não
conseguimos, algures na subida, caímos alguns degraus, voltámos ao ponto de
partida. Nas relações, é entregarmo-nos e abrirmos suscetibilidades, e de
repente, vermos que se calhar não nos devíamos ter deixado o livro assim tão aberto,
acabamos por nos fechar a sete copas, não resultou.
São apenas dois exemplos, mas com certeza existem medos de
mais “Para sempre’s”.
Eu imagino muito, e para mim, os meus sonhos, ou pelo menos
alguns deles, são os meus objetivos, acho que não tenho medo do “Para sempre”,
teria medo de um se não estivesse exatamente, numa fase da minha vida, onde
quero estar. Claro que não tenho a vida perfeita (tenho uma vida
imperfeitamente perfeita), claro que sou nova, claro que não faço a mínima
ideia do que virá amanhã, quanto mais num “Para sempre”, mas se imaginar que
serão coisas boas, faz de mim uma doida que não se previne ou prepara para a
desilusão, dando depois trambolhões e trambolhões ao longo das escadas, ou faz
de mim alguém que prefere olhar para um amanhã risonho?! Posso dar um
trambolhão, mas levanto-me logo e rio-me, rio-me de mim antes que se riam só de
mim. Faz sentido?
Às vezes debato-me se adoto realmente a melhor atitude, diz
que pessoas como eu estão muito mais recetivas para a desilusão, esperando,
ingenuamente, sempre o bom de tudo… Como é óbvio nem sempre consegui o melhor
de tudo, precisamente por ser como sou, já tive também algumas desilusões, mas
se não as tivermos, quão forte podemos ser realmente? Às vezes até é bom termos
desilusões, porque tornam-nos mais fortes, não nos mata, magoa, aleija, desorienta,
mas depois, é suposto deixar-nos mais fortes!
Eu acho que não tenho medo do “Para sempre”, mas quão
interessante seria daqui a 10 anos, eu recuperar este texto e ver exatamente
como e o que acho deste tema?! Algumas das pessoas que olham para mim (e sei
que não me julgam) como se fosse uma doida ingénua, apenas já passaram por
algumas coisas na vida, que são diferentes da minha, até pela diferença de
idade, mas também eu já passei por algumas coisas na vida, no entanto não
descuro a experiência de quem me avisa, de quem olha para mim e possa ver
ingenuidade, acho que faz parte…
Sou uma jovem mulher de 24 anos e não abandono a minha
ingenuidade e, ou, inocência por nada, mas também sei, e tenho confiança de que
sou uma jovem experiente e perspicaz. Escolho, e mais uma vez repetindo, não
querer ter medo do “Para sempre”, escolho olhar para o amanhã com um sorriso,
em que coisas boas virão, mas os desafios também virão, escolho, tornar-me cada
vez mais forte neste “Para sempre”.
E vocês… O que acham de um “Para sempre”?