segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Divagações de 5 dias em Road Trip

Na minha cabeça há 2 meses Kungs vs Cookin' on 3 Burners - This girl
O meu jam nestas férias!

Fiz uma road trip!!!

Quem me conhece sabe como nos últimos meses não me calei a dizer que queria muito fazer uma road trip pela Costa Vicentina. Sou super apologista de conhecermos o nosso país, fazer um bocado de turismo nacional não faz mal a ninguém certo?

No meu querido Dream Job tive imensa sorte em conseguir juntar uns diazinhos para fazer umas mini férias, 5 dias, na realidade tirei 3 dias, mas nada que um fim de semana junto de um feriado não resolva.

Fiz tal e qual como imaginava, comprei salsichas, atum, bolachas e frutos secos, agarrei no meu companheiro de viagem (meu querido e paciente namorado), pus as malas às costas (na realidade pus uma trolley na bagageira e um saco de ginásio, mas é muito mais engraçado dizer “mala às costas”) e arranquei para baixo.

O plano era então ir até Quarteira, acampar lá 2 dias e fazer aquilo que quis chamar de férias comerciais, isto porquê? Porque fomos para lá dois dias fazer aquilo que todos fazem e que enchem as praias e o Algarve… O meu companheiro nunca tinha ido a Vilamoura e eu nunca tinha ido a um parque aquático, então optámos por acampar no Orbitur Quarteira.

1) Orbitur Quarteira

Só tinha acampado uma vez na vida, foi em Alvor com as minhas amigas, ainda éramos nós umas crianças adolescentes de 18 anos. Não me lembrava, depois destes anos todos, o que é que me fazia odiar acampar tanto, porque alguma coisa me afastou das tendas tanto tempo.
Pois bem, o Orbitur lembrou-me o porquê – isto não é nada contra o Orbitur atenção! -, mas apesar de me sentir super bem a (não) montar a tenda, (não) tenho muito jeito para isso.. Se há coisa que odeio e acampar é mesmo os balneários.

ODEIO BALNEÁRIOS DE PARQUES DE CAMPISMO!

Tenho sempre medo de me encostar às paredes sem querer enquanto tomo banho, sei que há a limpeza, mas sinto sempre que não está bem limpo, então é um stress a ginástica que tenho que fazer para tomar um banho e tirar a poeira de mim. Para não falar que o caminho para a tenda era terra batida, então sempre que ia sair (uma vez que à noite ia para Vilamoura) tinha que passar os meus pezinhos por água, porque não sei se sabem, mas nos pretos, a poeira nota-se e faz um degradê muito pouco convidativo até à área dos tornozelos. Não é giro.

Mas fora os banhos, que é algo incontrolável, é mais teima minha, adorei acampar, adorei a experiência de montar a tenda (montei muito pouco, mas pus as estacas, liguei uma coisa ou outra…), ver árvores gigantes assim que abria a “porta” daquela minha casa temporária, ver um espírito muito livre em todos os campistas, ver as pessoas a jantar ao ar livre, acordar e ver aquela natureza, foi de facto muito bom!

2) Vilamoura

Já fui alguns verões para Vilamoura, hoje em dia não faço questão, este ano quis levar o meu companheiro de viagem pois tinha curiosidade.

Este ano evitei Praias da Falésia, evitei Seven's, evitei Bliss’s, que era muito por aí que também queria que o meu companheiro conhecesse, mas não sei se é só porque já sou uma vela de 24 anos ou se porque vejo um mundo meio que fútil, somente de aparências e de miúdos e miúdas muito novos e novas a viverem muita coisa antes do tempo.

Sejamos realistas, quando bate os 20 e tais, não há grande disposição para ir a discotecas ou bares onde o público são pessoas muito mais novas que tu, então, apesar de adorar ir sair e dançar à grande, não consegui ir.

Fico na dúvida se os jovens que me apertaram a pulseira do Bliss no pulso eram maiores de 18 ou não, é que se eram pareciam tããããããoooo mais novos! Apetece dizer “Vai brincar joveeeemm!!! Vai ao parque! Não andes aqui na noite que tens tempo para isso!”

Pareço presunçosa a falar assim, às vezes esqueço-me que também já fui mais nova e que mais nova saí à noite, às vezes esqueço-me que muitas vezes pareço mais nova e as pessoas também podem ser assim, meio que condescendentes comigo…

Vilamoura para mim foi só à noite, foi passear, sentir o ar quente durante a noite, o comer gelado, reencontrar amigos e beber a improvisada Vodka Monster (bem bom!).

3) Aquashow

Só tinha 2 dias para estas férias comerciais, e tinha mesmo que ir a um parque aquático. Sou tão medricas com estas atividades, tenho medo de que as coisas corram mal, que o equipamento não seja seguro e de dar uma queda gigante e morrer.

Super dramática, eu sei!

Mas faço sempre tudo, eu sou mesmo capa de fazer todos os desportos radicais, não quero comparar o Aquashow a um desporto radical, mas é radical o suficiente, e já é uma grande adrenalina.

Eu sou aquela pessoa que vai querer fazer tudo, sou paciente na fila, quanto mais próxima estou da hora H começo a ficar ansiosa, na hora H, quero muito desistir, mas isto tudo acontece silenciosamente, acabo por fazer tudo, grito, grito e grito, grito mesmo bastante, mas depois acaba e é uma estala do caraças e diverti-me mil!

O Aquashow foi uma boa experiência, acho que mesmo tendo ido em agosto, consegui fazer todas as atividades mais hardcore e agora estou pronta para fazer queda-livre. Fica já aqui a resolução para 2017!

4) Por vezes, o Algarve faz-me sentir como se tivesse alguma coisa na cara

Esta parte das férias comerciais fazem-me lembrar o porquê de às vezes me sentir desconfortável quando vou lá para baixo. Parece que lá venho eu outra vez com esta história dos pretos e brancos e amarelos...

Mas acontece mesmo eu estar muito bem na minha e ver pessoas a olhar para mim a estranhar, e mais uma vez eu percebo que é pelo meu tom de pele, por eu ter o tom de pele que tenho (que é lindooo! É chocolate!) e namoro com um rapaz branco… A Única Mulher ainda não conseguiu habituar todo o Portugal de que pretos existem e que pretos e brancos se misturam e é uma coisa normal.

É chato ter que me sentir assim num país que também é meu, onde eu nasci e me orgulho sempre de dizer que sou portuguesa, mas pronto Algarve, se estiveres a ler isto, por favor habitua-te que a diferença é só outro tipo de igualdade.

5) Costa Vicentina... Portugal é lindo!

Bem, sinto que este post já vai longo, e facilita-me, até porque estou um pouco cansada, mostrar-vos fotos do que continuar a cansar-vos a vista.

Para a semana, faço ainda melhor, vou fazer um vídeo resumo da viagem, só ainda não fiz porque perdi vídeos, às vezes sou demasiado croma com as tecnologias e faço porcaria, ainda assim, tenho 40 minutos de vídeo para resumir em 5 ou 7 minutos para partilhar convosco. Vem já para a semana!!!


E agora, apresento-vos um pouco da minha querida road trip (férias comerciais e rota vicentina) em fotos:

Porto Covo 
Praia do Malhão, Milfontes

Praia da Samoqueira, Porto Covo

Casazul, Milfontes (o meu housing por duas excelentes noites)

Porto Covo


Por hoje, é tudo. ;)

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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

No. 4 Encontrando a Guiné-Bissau por Portugal

Um país que se diz apenas ser pobre e corrupto.
Vê aqui o meu último vídeo.

Para quem não sabe, se ainda não o mencioneei vezes suficientes, as minha origens são guinienses.

Agora com mais orgulho: AS MINHAS ORIGENS SÃO DA GUINÉ-BISSAU!

Acho que quando era mais nova, criança mesmo, se calhar tinha algum receio de o dizer, não sei porquê, mas quando era mais nova, sentia qualquer conotação negativa da perspetiva que outras pessoas tinham, por isso só a partir da minha adolescência é que comecei a dizer orgulhosamente, que, basicamente, eu sou de dois sítios.

Tenho 3 respostas padrão:
1) Alguém português ou africano de qualquer PALOP: Tu és de onde?
Je: Sou portuguesa, e os meus pais são da Guiné-bissau. 
2) Alguém guineense, ou guigui, mas grande guigui que eu percebo logo: Tu és de onde?
Je: Sou guineense.
Esta segunda, muitas vezes aconteceu eu dar a primeira resposta e de alguma forma ficarem revoltados comigo, como se eu estivesse a negar as minhas origens, quando simplesmente dizia o facto, mas comecei a medir as situações e por vezes, mais vale dar a resposta que querem ouvir. Não é de todo mentira, o meu sangue é guigui.
3) Alguém português que esteve na guerra e pergunta-me presunçosamente: Tu és de onde? És guineense ou angolana, de certeza:
Je: Sou portuguesa! 
Esta última, admito que é uma pergunta que me irrita, porque acontece muitas vezes, perguntarem-me de forma que eu percebo, que só querem mostrar que percebem, de forma convencida, e a humildade nunca matou ninguém, então gosto sempre de dar a vulgarmente conhecida "barra"!


Vou sempre adaptando a resposta ao ouvinte. Digam lá que isto não é puro Marketing adaptado à vida real. Existem segmentos diferentes (alguém português, alguém guineense, alguém português presunçoso) com necessidades diferentes (3 respostas diferentes).

Neste vídeo, falo da minha ida ao cabeleireiro, não de forma superficial, mas como me faz sentir num seio muito africano, muito guineense, e de como é algo engraçado podermos encontrar por cá, em Portugal, lugares que nos remetem ou transportam para outras culturas.

E, claro, pois tenho um brinquedo novo (e prometo ser muito chata com isto, muitas mais fotos-selfies-vídeos no Instagram) e tinha que fazer um pequeno segmento sobre isso, acho que poderão achar piada.

Por hoje, é tudo. Vejam o vídeo e se gostarem, metam like e cliquem subscrever. ;)

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domingo, 7 de agosto de 2016

Por este mundo do blog eu vejo...

Limbo - mishlawi
Na minha cabeça há 2 meses


Esta semana andei a ler posts antigos do meu blog. Acho super engraçado "ler-me" e ver o impacto que algumas decisões tiveram em mim.

Há uns tempos, li um post de uma blogger que falava um pouco das dificuldades e medos de se ser blogger e, obviamente, fez-me pensar nos meus medos quando decidi criar o blog.

No início, tinha acabado de terminar o meu estagio curricular que marcava o final do meu querido curso em Marketing, e como só conseguia pensar na questão de "Agora é que é Patrícia! Como é que vai ser agora para arranjar trabalho?!" e o resto é toda a história que marca o início do blog.

Com isto, veio o medo de não conseguir atualizar o blog com regularidade - bem, aqui admito, este erro tornou-se tão realidade, a minha assiduidade ao longo deste ano foi um pouco fraca - não conseguir arranjar conteúdo, e principalmente, não conseguir ter alguém que se interessasse pelo meu blog.

Afinal de contas, o meu objetivo nunca foi escrever somente para mim, se assim fosse, acho que escrevia somente um diário - uma prática minha desde pequena, mas que fui abandonando de há uns anos para cá - o meu objetivo era e é, de facto, partilhar histórias e perspetivas, e com isso, espero sempre ter alguma interação do outro lado... Do vosso lado. 

Toda esta minha sede de querer ter a vossa interação comigo, fez-me, durante um período muito curto de tempo, procurar saber o que é que tinham alguns blogs que eram mais comentados e visitados que o meu, e quis replicar. Havia e continua a haver posts com títulos sonantes e atrativos como "A minha semana num post" ou "Top 5 de o que quer que seja de alguma forma sonante o suficiente para clicar", e isto acabou por me influenciar. Cheguei a fazer uma pequena adaptação com o post "O metro numa semana", algo de que não me arrependo, ri-me ao relembrar alguns dos acontecimentos, mas é do género "NINGUÉM QUER SABER".

Bem, eu se fosse a pessoa do outro lado, não quereria saber.

Cheguei a fazer algum stalking em alguns blogs, admito, comentando blogs que poderiam não ser tanto aquilo que procuro, eu procuro blogs com alguma profundidade de conteúdo, blogs com histórias (pessoais, fictícias ou de outrém), blogs com perspetivas, no fundo, blogs diferentes dos mais comuns, que não sendo maus de todo, apenas estão num saco gigante e já muito saturado. Posso dar exemplos, são eles blogs de moda, lifestyle, etc. Ainda assim, há muitos destes que gosto de acompanhar, mas são mesmo poucos os que se diferenciam, há muitos "O que está na minha whishlist" ou "Qual o melhor protetor para o teu cabelo este verão?", por mais que gosto de acompanhar, é-me bastante difícil identificar-me principalmente com este, eu uso tranças e a mim isso não se aplica. Este é o meu segundo verão com blog, e a repetição de temas é incrível, principalmente neste tópico dos cremes, bronzeadores e tudo isso.

Por outro lado, a coisa boa dos blogs, é mesmo que há muitas pessoas nesta blogosfera e é tão bom navegar e ler pessoas, é um grande livro que não se compra, está online todos os dias, inspira e faz-me pensar sobre tanta coisa...

Enfim, isto para dizer que haverá sempre medo, medo de não conseguir cumprir com um compromisso, qualquer pessoa que inicia um blog público, está a assumir esse compromisso, e deverá haver uma responsabilidade, mas ao mesmo tempo, trata-se do nosso espaço de escrita, o nosso espaço que decidimos criar sem que ninguém nos ordenasse, é simplesmente uma coisa boa, para sermos nós e sermos livres.

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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

No. 3 A Miúda no YouTube

Vê aqui o meu último vídeo.

Neste vídeo faço um pequeno apelo a quem quiser fazer parte de um projeto de voluntariado junto de instituições ou lares com deficientes e velhos. É realmente um projeto que quero abraçar. Juntem-se a mim e interessados que enviem email para amiudasempreaandar@gmail.com. Tenho já algumas ideias para partilhar.

P.S.: Ainda não sei bem o chamar, é vlog ou posso dizer simplesmente vídeo? A vida é tão mais simples quando não nos limitamos com "o que é que é mais correto dizer? Assim ou Assado?" 

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sábado, 30 de julho de 2016

Impotentes. Microcefalia e Lisencefalia

Come and See Me - PARTYNEXTDOOR
Na minha cabeça há uns meses

Quando era criança, quis ser médica. Queria ser heroína, mas hoje em dia vejo que um médico é ordinário e não herói, muitas vezes impotente.

Em 2016, continuam a existir doenças cuja cura ou solução são incontornáveis pela ciência, como por exemplo a história de uma mulher estar grávida durante os habituais 9 meses e ninguém se aperceber que algo de muito errado se passa com o bebé.

Esta é a história de uma familiar minha. É horrível e toca-me bastante. É revoltante saber que a tecnologia evolui, a ciência evolui e ainda assim, sermos surpreendidos com terríveis notícias.
A Lia é uma menina linda de 20 meses e foi diagnosticada com microcefalia - doença em que tamanho da cabeça é consideravelmente mais pequeno do que seria suposto - e lisencefalia - o cérebro da Lia apresenta uma ausência das circunvoluções normais do cérebro.

Durante os 9 mesinhos que esteve na barriguinha da mãe, por mais estranho que pareça, ninguém se apercebeu de algo fora do normal com a Lia.

Lá está, não somos heróis e os médicos também não, em certas coisas, somos impotentes.

Foi só quando a Lia nasceu, que médicos perceberam e deram a terrível notícia aos pais, de que a Lia é muito deficiente, que não ouvirá, não verá, não falará e não andará… Para terminar o choque, foi ainda dito que a pequena Lia viveria por muito pouco tempo.

Que dor é esta que imagino… Não posso sentir nem um quarto do que os pais da Lia possam ter sentido ao ouvir isto, é um bebé… O bebé deles, a criança cujo futuro já teriam imaginado, que parece desmoronar assim, de um momento para o outro.
Imagino muito o “E se fosse comigo”… Quem me conhece sabe bem o meu desejo de ser mãe no futuro, e sei, apesar de não poder prever nada, o difícil que seria para mim esta situação. É de facto horrível.

Se fosse comigo, tentaria ao máximo não desistir.
Se fosse comigo, pediria ajuda a quem me é próximo, amigos, família…
Se fosse comigo, contava com a ajuda de quem quer que seja que me possa ajudar.
Se fosse comigo, fazia por ser forte pela minha filha e lutar sempre.

Não é comigo, mas serei aquela pessoa que ajuda como pode e por isso aqui estou agora… A pedir a vossa ajuda e de quem puder de qualquer forma, ajudar a Lia e família.

Os tratamentos são muito, mas muito caros, e é com muita terapia que a Lia poderá vir a ter uma vida melhor… Qualquer criança que venha ao mundo merece a oportunidade de viver uma vida certo? CERTO!

Podem ajudar contribuindo monetariamente, podem ajudar partilhando o caso da Lia e podem ajudar com muito positivismo.

Podem estar a pensar: “Porquê ajudar a Lia e não outras pessoas que tenham doenças igualmente complicadas e com tratamentos igualmente caros?”

Para mim, uma pessoa não salva o mundo mas de pequenas coisas se fazem as grandes, este caso é próximo de mim e não poderia ficar indiferente, peço apenas que ajudem como puderem a princesa Lia.

Conheçam melhor a Lia aqui, e nesta mesma página, podem partilhar ou fazer uma contribuição (são todas bem vindas, mesmo que seja de 0,01€).


Obrigada.

domingo, 24 de julho de 2016

Senti(n)do de (o) humor

Don't let me down - The Chainsmokers
Na minha cabeça há 2 meses

O sentido de humor é das formas mais básicas de falar livremente e de forma espontânea, é algo que surge, é algo em que, ou somos nós que fazemos uma piada, ou aceitamos/recusamos uma piada. Sentido de humor, não é maldade e não é bullying, se for é porque não sentido de humor.

Sentido de humor é, por vezes arriscar, sentindo a “plateia”, é preciso saber o que dizer e o que não dizer, no momento certo… Medir a sensibilidade da coisa, pode, muitas vezes, ser considerado algo de mau tom, mas não suposto, afinal de contas, é só sentido de humor. O ponto-chave é: “Se não tens nada de bom para dizer, não digas nada.” A minha querida mãe sempre me disse isto, também adoro roubar-lhe a citação, nem sempre obedecendo, gosto imenso de falar e por vezes o meu cérebro envia as palavras para a minha boca antes mesmo de pôr o pé no travão. Isto já não é espontaneidade, é precipitação, mas existe sempre a palavra “desculpa” recuperar este tipo de situações, afinal de contas, ninguém é perfeito certo?

Todos os dias, vejo o sentido de humor nas pessoas, e acho absolutamente fantástico, porque vejo pessoas, não só a sorrir, mas a rir, e o riso é tão contagioso... Vejo em momentos no trabalho, vejo em momentos com amigos, vejo quando vou ao bar ou refeitório, vejo quando vou ao supermercado… É engraçado, por vezes, encontrar-mos estas coisas que acontecem na vida do dia-a-dia normal de uma pessoa, e não nos apercebemos no impacto que tem, eu pelo menos arrisco-me a dizer que tem um impacto forte, pois deixa as pessoas mais bem-dispostas, certo?

É sempre bom ver as pessoas bem-dispostas, porque brincam ou abraçam os seus sentidos de humor, é sempre bom não nos levarmos tão a sério, mesmo que sejamos pessoas sérias.

Para mim, um ótimo exemplo disso é o meu pai. Quando me perguntam como é o meu pai, acho sempre piada descrever com a palavra “austero” (aprendi esta palavra no sétimo ano, numa aula de português enquanto líamos um dos livros obrigatórios, e lembro-me perfeitamente da professora estar a descrever a palavra e eu simplesmente pensar “É O MEU PAI!!!”, desde então, eu descrevo “austero” como “o meu pai”). Sou a primeira filha do meu pai e, pelas histórias que oiço da minha família, assim que o meu pai soube que ia ter uma filha, mudou completamente, tornando-se num homem muito mais sério e obstinado. Ele sempre teve uma enorme proteção para comigo, e sempre quis manter aquela figura de pai autoritário e respeitável, quase que temível (o objetivo era de facto que eu tivesse uma educação disciplinada e regrada, e assim foi), mas eu sei, que é um homem muito sério, e que se leva muito a sério (talvez até demais), mas sabe-me sempre tão bem quando lhe arranco gargalhadas, quando o ponho a rir… Neste sentido somos completamente diferentes, eu sempre a brincar e o meu pai sempre sério, mas sabe bem quebrar isso de vez em quando.

Problema de comunicação. É o fruto de quando as pessoas não se entendem, é frustrante até. Ultimamente tem-me acontecido com algumas vezes, posso adaptar-me e moldar-me aos outros, mas também não quero mudar como sou...

É por causa desta questão do problema de comunicação que digo que, por vezes, o sentido de humor é arriscar, porque as pessoas podem estar em polares diferentes do espectro e simplesmente não se entenderem, ou então, as pessoas podem simplesmente não estar para aí viradas, ou então, tocaste num ponto sensível que as outras pessoas não vão apreciar, ou então, repetiste demasiadas vezes a mesma piada e escalaste-a, e as outras pessoas simplesmente fartam, entre mil e um outros exemplos diferentes. É curioso algo tão simples, poder gerar um problema.

Para mim, a solução deste pequeno problema, será sempre, não sendo palhaços, não nos levarmos tão a sério e desfrutar todos aqueles pequenos momentos, ao longo do dia, que nos fazem sorrir e até mesmo rir, principalmente às segundas-feiras, esse dia tão difícil logo depois de um fim de semana.

Termino este post como já terminei antes outro, e com uma citação que todos nós gostamos:

“Façam o favor de ser felizes!”
Raúl Solnado

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terça-feira, 12 de julho de 2016

Deficientes & Velhos

Dontcha - The Internet
Na minha cabeça há 2 anos


Há coisas que me ultrapassam.

Um ambiente ideal é aquele em que te sentes bem, em que te sentes tu e em que te fazem, ou faz, sentir bem. Existe um ambiente confortável, aquele em que estás, apenas sendo, existindo, um ambiente diferente para nós, em que de alguma forma nos sentimos fora da nossa zona de conforto, existe um ambiente não propício para ninguém, em que não te enquadras.

Existem pessoas que não se enquadram, seja num grupo de pessoas, na escola, no trabalho, na sociedade… Mas facilmente podemos sair deste funk ou não? Acaba por ser uma questão de personalidade ou postura para muitos de nós certo? É-nos fácil mudar, se não tivermos uma força maior que nos impeça, somos livres de nos adaptar e deixar-nos estar confortáveis ou então, simplesmente mudar, certo?

Acredito, que para nós (quando digo nós, falo de nós, pessoas que se adaptam e mudam consoante o ambiente que nos rodeia), seja fácil, relativamente fácil talvez, mas tenho uma grande questão que me faz pensar no que raio se passa neste país e noutros países em que certas coisas acontecem.

Deficientes e velhos não têm lugar nesta sociedade.

Vejo, deficientes (e vou dizer assim, pois é aquela palavra meio tabu, que nem eu própria sei se devo mesmo dizer, também me sinto um pouco desconfortável, mas facilmente me adapto, se existe a palavra, é porque é algo real) e velhos largados na sociedade.

LARGADOS!

Realço aqui esta palavra porque é o que sinto que acontece, vejo deficientes a limpar ruas, ou a fazer trabalho de jardinagem, whatever, sinto que não o fazem porque os preencha, mas sim porque lá os largaram, como se não tivessem um propósito nesta terra, como se não tivessem lugar nesta sociedade, como se não tivessem outras vontades, tenho a certeza que terão, e não digo que não possam ter vontade de ver as nossas ruas mais limpas, mas aquilo que eu vejo regularmente, e principalmente perto de onde trabalho, é um autocarro chegar, cheio de deficientes, largando-os lá, para fazerem a apanha do lixo, cortar as ervas daninhas, varrer as folhas mortas, etc. Sei que não é a sua vontade, porque vejo as suas caras de “OK, mandaram-me fazer isto, vou fazer”, quase como se não soubessem sequer que podem fazer uma objeção a isso, talvez não saibam, mas faz-me imensa confusão ver isto…

Nos lares ou instituições similares, estão os velhos e/ou outras pessoas incapacitadas. Os horários de visita são sempre muito complicados, e são bastante reduzidos, algo que no início, é um período muito complicado de adaptação para os velhos e seus familiares, mas todas aquelas horas em que não têm visitas, em grande parte destas instituições, os velhos estão a dormir, ou a ver TV, de vez em quando há uma atividade ou outra, mas não será, com certeza a forma mais dinâmica de ocupar estes velhos. Isto também me faz confusão…

Faz-me confusão termos recursos e não os usarmos, faz-me confusão largarmos os deficientes assim, e largarmos os velhos assim!

Existe um curso, super engraçado, chamado é Animação e Intervenção Socio-cultural (no Instituto Politécnico de Setúbal, na Escola Superior de Educação, é precisamente este o nome da licenciatura, para o caso de estarem interessados, contrariamente ao que muitos pensam, não é um curso só para a palhaçada, tem muito mais do que isso), portanto eu sei que temos pessoas formadas para poderem dar motivação, ânimo, ocupações, etc. a deficientes e velhos. Então, porque raio os estamos a largar?

Existem pessoas que se voluntariam para animarem, desenvolver atividades, pôr estas pessoas a mexer, pôr estas pessoas com um propósito nesta terra. Então, porque raio os estamos a largar? Passa a ser uma das minhas resoluções! Este ano e no futuro! Recuso-me a olhar para isto assim.

O meu chefe a ler isto, com certeza diria “Lá está a Patrícia sindicalista outra vez!”, às vezes tenho disto, mas o que estou a dizer faz sentido ou não?

Quantos deficientes e velhos não vêm na terra de uma forma que parece que não têm propósito, ou que parece que não têm direito como nós, pessoas que facilmente se adaptam ou mudam, a procurar ou ter algo na vida que os mova ou motive?


Assim termino, vou continuar a pensar nisto e procurar formas de entrar no sistema, não vou ser sindicalista, mas uma ajuda ou outra não custa certo? Não me custará com certeza procurar formas de enquadrar estas pessoas na sociedade certo? Acredito que não!

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